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   Brasil, quarta-feira, 8 de setembro de 2010 
Blogs no limite extremo

Seja de uma zona de conflitos ou do meio da rodovia Pan-americana, postar suas experiências pode ser um grande desafio.Conheça os blogueiros mais radicais do planeta

"Crie uma conta no ´Twitter. É uma forma boa e barata de avisar as pessoas caso você entre em apuros ou seja raptado. Você pode combinar alguma palavra-chave com seus amigos. Caso precise de ajuda, é só usá-la." O conselho do jornalista Alex Strick van Linschoten parece exagerado e paranoico para qualquer blogueiro comum. Mas não é bem assim.

Baseado no Afeganistão, van Linschoten é o único jornalista na cidade sulista de Kandahar que não está vinculado aos militares. Ele acredita que seu blog "independente", from the Frontine (tinyurl.com/yoz2mc), tem um papel importante na cobertura do conflito naquele país, mostrando a realidade ao mundo exterior.

"Todo mundo está designado a uma unidade militar", diz. "São praticamente as únicas reportagens disponíveis vindas do sul do Afeganistão. Eu prefiro ver as coisas pelo outro lado da trincheira."

Não trabalhar ao lado dos militares é mais difícil, ele admite, dado o grande perigo físico que corre. Mas há compensações. "Daqui de casa, em Kandahar, posso entrar no carro a qualquer hora e ir aonde precisar, sem ter de me preocupar com permissão ou escolta militar", explica. "A maioria dos jornalistas que mora nas grandes bases militares da OTAN não pode se movimentar muito livremente. Não estou dizendo que não devemos cobrir os esforços dos militares aqui, mas apenas não estou interessado nisso. Penso que temos um dever moral de escrever sobre o que está acontecendo aos afegãos. Infelizmente, tem havido muito pouco interesse no lado deles da história, particularmente num período em que a cobertura em geral no pa´s está enfraquecendo."

Van Linschoten optou pelo blog por estar frustado com o mercado tradicional de mídia. "Tentei trabalhar como freelancer no afeganistão há alguns anos, mas era normal que o ângulo da história já viesse definido de Londres ou de outro lugar qualquer", diz. "Em todo caso, a história é sempre mais complicada do que um texto de 700 ou 1.000 palavras. No blog, posso escrever textos longos e não editados á vontade. Em último caso, é uma forma de ter um ponto de vista mais pessoal nas histórias que escrevo, e posso adicionar vídeo e som no blog para dar aos leitores a ideia do que é estar realmente Kandahar."

Falta de Energia

Manter o blog atualizado é um trabalho cheio de dificuldades. "Pode haver problemas técnicos com o site. A internet pode não ser rápida o suficiente para fazer o upload de fotos ou de videos para o YouTube. Ou pode não haver eletricidade, e aí precisamos ligar um gerador", diz van Linschoten. "Caso contrário, se você estiver fora da cidade é possível fazer uploads, já que não há conexão á internet. Eu uso bastante o Twitter, fazendo uploads via mensagens de texto do meu celular local quando estou viajando pelo sul. Algumas vezes tenho que enviar pelo celular os posts do blog a um amigo, para que ele atualize para mim."

Em 2006, Ben Hammersley trabalhou como repórter multimídia no afeganistão para o  site do jornal inglês The Guardian. Depois, trabalhou nas eleições da turquia em 2007 para a TV estatal BBC, usando YOU Tube (tinyurl.com/6mrnc7) e Flickr (tinyurl.com/56svtu). Ele também cobriu as eleições no Paquistão para o site MSN .co.uk.

Noticiar por meio de um blog economiza tempo, diz Hammersley, e é isso - e não o visual de um blog - que faz dele um meio atraente. "O sistemas de gerenciamento de conteúdo (CMS, pelas iniciais em inglês) são muito melhores para o jornalismo rápido do que  os sistemas de gerenciamento tradicionais de grande mídia", diz. Eles também permitiram que ele produzisse material diferente daquele que vinha da mídia tradicional. "Na maioria dos casos era mais parecido com um diário, e talvez um pouco mais rico em termos de multimidia. Mas, de forma geral, descobri que o estilo blog não combina tanto com coberturas de guerra quanto se pode imaginar. Isso porque muito das notícias estrangeiras são um mix de curtos períodos de ação com longos períodos de espera. É difícil fazer disso um blog interessante."

A necessidade de uma conexão á rede é um problema constante. "Você precisa de um telefone via satélite e conseguir enxergar a linha do horizonte para que funcione", diz Hammersley. "No Afeganistão pode ser difiícil encontrar: em Beirute tudo muda com a Wi-Fi do hotel: na floresta das Filipinas é algo impossível."

Você também precisa ter á mão equipamento extra - e se acostumar com o fato de que eles quebram a toda hora. "Enchi alguns Power Books de areia por causa de alguns helicópteros. Isso parece terrivelmente glamouroso até que aconteça algumas vezes e você perceba que sua tela já era."

Viagem e aventura

Há também quem goste de blogar aventuras - e quanto mais radical, maior o desafio. Não obstante, Dame Ellen MacArthur blogou a bordo do iate BT (tinyurl.com/w102-iate) e Davi Hempeman-Adams conseguiu blogar durante a quebra de recorde de cruzamento do Atlântico sobre um balão, no ano de 2007 (toshibachallenge.com).

Mark Beaumont, que recentemente teve sucesso na tentativa de dar a volta ao mundo em uma bicicleta (levando apenas 194 dias e 17 horas), também optou por manter informamados os amigos, família e fãs através de seu site (pedallingaround.com). "Fazia sentido tentar compartilhar a jornada com o maior número possível de pessoas. A tecnologia existe para que façamos isso de forma leve e eficiente", diz. Junto com sua bicicleta, Mark carregava um laptop, GPS, câmera miniDV e câmera digital Panasonic Lumix, mas a maioria das atualizações do site era feita por meio de ligações ou mensagem por celular.

"Se fosse para fazer tudo sozinho, fora das redes do mundo ocidental, seria bem difícil manter todos os aparelhos carregados e conseguir acesso á internet", explica. "É praticamente impossível fazer upload de vídeos mesmo que comprimidos, mas mesmo fotos e áudio são um grande desafio. Por várias vezes o que fiz foi salvar tudo em um pen drive e mandá-lo pelo correio assim que conseguia. Era importante para mim manter o blog atualizado, mas não é tão fácil quando se está fora da Europa ou dos EUA."



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